13 de março de 2018

Resiliência

13 de março.

2014
Cirurgia para retirada de tumor na região do mediastino. Retirado apenas uma amostra para biópsia, com a opinião da equipe médica que dizia nunca ter visto um tumor daquela maneira, e esperava apenas o resultado com o grau de malignidade. Medo, angústia, solidão. Orações, amor e fé!

2018
Acordo relembrando 4 anos atrás. É meio estranho, porque costumamos nos perguntar: Onde quer estar daqui 5/10 anos? Eu não sabia que seria quem sou hoje, nem estaria onde estou.Há 4 anos, os riscos não pareciam tão reais quanto agora. É tão bom ver que eu to aqui mesmo, que to viva, to bem, mas poderia não estar.

Mesmo com toda esperança, fé e tratamento, eu não sabia que chegaria até aqui. Deus tem o controle de tudo, mas frente ao câncer, fica ainda mais bagunçado a segurança que temos de viver a curto ou a longo prazo. Quando soube da recidiva, fiquei triste por saber que passaria por muitas coisas que não me agradavam, tipo a quimioterapia, fiquei na duvida se ia conseguir enfrentar e superar a doença novamente, mas me deixei levar.

Respirei fundo, e estou aqui, VIVA. Estou melhor do que esperava, mais feliz, mais completa, com saúde, e seguindo em frente. Nesses 4 anos, aprendi a perguntar menos e aceitar mais, percebi que tem coisas que fogem do nosso controle, e mesmo que a gente lute com todas as nossas forças, não cabe a nós a batalha. A Anna de 4 anos atrás cresceu, melhorou, ficou mais forte. A Anna hoje agradece, sorri ao tentar colocar em palavras a mistura de sentimentos alegres ao lembrar da luta.

Sigo enfrentando meus medos e angústias, refletindo sobre o presente que é a vida, tentando ser alguém melhor.

Eu renasci, e principalmente hoje, tenho a certeza que a vida é linda, que valeu a pena cada cirurgia, cada quimio, cada exame, cada agulha. Deus foi e continua sendo muito bom comigo. Gratidão sempre!




9 de janeiro de 2018

+ Vida

Mais um ano iniciando, mais sonhos sendo formados - e realizados - mais oportunidades, mais chances, mais VIDA.

No último ano me permiti ter medo e paciência para superá-los de uma forma tranquila para que fossem embora para sempre. Aprendi muito mais do que ensinei, me superei mais vezes do que imaginei.

A tal vida normal começou mesmo a valer, pois consegui meu primeiro emprego, um estágio na saúde pública, que me acrescentou tanto e tem me ajudado a ver a vida de outra forma, e chega até a ser engraçado escrevendo isso, mas tento sempre estar mudando e melhorando a forma de ver a vida, até com as pequenas coisas, não precisamos de muito para isso, não precisamos de um câncer ou algo grave para mudarmos isso.

A parte mais difícil de 2017 com certeza foi aceitar e acreditar mais no planos de Deus pra minha vida, e no meu propósito aqui, me questionei muito do porque ainda estar aqui.

O Instituto A União Traz a Cura iniciou com 5 guerreiros. Primeiro Marquinhos e Michel, junto com Fran, Laura e eu. Criamos uma amizade e nos unimos até chegarmos onde estamos. A questão maior é, eramos 5 - somos 5 - mas apenas eu e Fran continuamos aqui, com vida, e seguindo o legado de todos. A dor da perda acaba se perdendo quando acho que não estou fazendo tudo o que posso, ou que eles poderiam também estar aqui ajudando, mas não cabe a mim isso, a não ser aceitar e seguir em frente.

Levo comigo a certeza de que cada um cumpre o tempo que precisa aqui, e eu não cumpri o meu. O mundo do câncer ainda me parece injusto alguns momentos, em outros um maravilhoso aprendizado, e sigo nessa montanha russa, tentando sempre tirar o melhor e ter fé, de que tudo é e vai ser como deve ser.

Meu desejo para 2018? Ser feliz. Aceitar e não questionar, agradecer e viver.

Espero que o ano de vocês tenha sido de muito aprendizado e evolução e que continuem buscando com toda fé e amor ajudar ao próximo e viver. Não estamos aqui só pela gente, mas por tantas outras pessoas que de uma forma mínima que seja precisam da gente.



19 de junho de 2017

Medos na vida pós câncer

Pensava que para tudo se tinha um porque, uma explicação. Mas quando chego na sala de espera na clínica de oncologia percebo que tem coisas inexplicáveis e sem motivo.

• Porque o protocolo de quimioterapia super novo e bom deu certo em mil pacientes e naquele senhor do canto não?
• Porque o câncer aparece na vida de uma jovem recém casada e grávida?
• Porque eu, depois de tudo que passei, ainda tenho medo?


Hoje tento entender porque não consigo confiar na minha cura. Porque o medo em cada exame, cada imagem, cada dor. Eu venci o câncer, mas as vezes parece que não tenho o poder da vitória.
Achei que quando eu crescesse eu ia ser dona de mim e dos meus sentimentos. Que iria entender e aceitar que a pior parte foi, e cada dia que passa, é um dia mais longe da doença que mais me tirou pessoas amadas na vida.

Não, não tem explicação. Na verdade sei que meus amigos guerreiros entendem o que tento expor nestas palavras, mas ninguém nunca vai entender por completo quão doida é essa vida contra o câncer.
Ou você acostuma, se adapta, aceita, ou não sobrevive. E não falo somente da luta diária com os medicamentos, cirurgias e etc. Falo da luta diária em ignorar o medo, enfrentar as pirações e seguir em frente.
Cada vez que chego aqui, acontece uma mistura entre a certeza de que está tudo bem, e a insegurança de que tudo esta prestes a desmoronar.

"Algumas guerras nunca terminam. Algumas acabam em tréguas desconfortáveis. Algumas guerras resultam em total e completa vitória. Algumas guerras acabam com paz. E algumas guerras acabam com esperança. Mas todas essas guerras são nada comparadas com a mais assustadora de todas: aquelas que você ainda tem que lutar”.

10 de maio de 2017

Amigo do Peito

Sempre penso em vir aqui mais vezes, em dar mais notícias, em ajudar mais os novos pacientes. Massss, a vida adulta e "normal" que sempre busquei, corrida, com muito estudo e trabalho chegou com tudo, e to feliz por conseguir chegar até aqui.

Claro, que não deixaria e nem deixarei de vez ou outra voltar aqui(não com a frequencia que prometi, nem a que gostaria, e hoje para alegria minha e de muitos que sempre me ouviram reclamar, venho anunciar que... Estou livre do cateter, do amigo do peito, do peneirinha!!!



O dia escolhido foi 27 de janeiro, no Hospital Erasto Gaertner, referência em tratamento oncológico, e adorei lá, as enfermeiras, médicos, todo o atendimento, desde o banco se sangue até a hora de ir embora.


Na chegada ao hospital, antes mesmo do internamento é necessário passar por uma triagem no banco de sangue(foto acima), para poder ir para o centro cirúrgico com segurança e umas bolsinhas garantidas caso necessário. Depois então internamento e a famosa pulseirinha, que admito, nunca fiquei tão feliz em usar. 

Tudo ocorreu bem no centro cirúrgico, só a falta de veias(pra variar) atrapalhou um pouco na hora da sedação, mas de resto, tudo bem tranquilo, e o resultado? Esse sorriso no rosto para dar adeus ao amigo do peito.

E a peneirinha? Trouxe para casa de lembrança, depois de 3 anos quase com esse amigão, não consegui ficar muito longe hahaha
Enfim galera, quis trazer boas notícias hoje para vocês, foi mais uma etapa vencida, mais um cicatriz de vitória marcada em mim. Para os guerreiros que assim como eu torcem o nariz pelas picadas mensais e heparinizações, tenham calma, que cada minuto vale a pena para a cura, e que tão logo estarão livres do cateter assim como eu estou! Fiquem bem, Deus abençõe! Beijos da Anna.
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