2 de junho de 2010

História da Larissa Bés

Hoje a gente vem com a historia impressionante gente da Larissa Bés, 15 anos. Que na época que aconteceu o caso que você vera ela tinha 12 anos
Entao..Vamos ver o depo da Lari ?
É grande,mas pode crê gente,vale a pena,pq é uma historia muito linda !

“Eu tinha de fazer um trabalho de Educação Física, teórica, na casa de uma colega. Era feriado e a cidade de Ubatuba-sp estava lotada de turistas loucos pra um banho de mar. Eu sempre fui de bicicleta pra qualquer lugar, mas neste dia O7 de setembro de 2006, minha mãe se ofereceu para me levar de moto. Meu irmão mais velho, até então com 28 anos estava brigado com minha mãe e neste dia resolveu fazer as pazes. Tiramos fotos e almoçamos juntos. Todos os filhos com Fátima; o que não sabíamos era o que nos esperava, embora tudo o que estávamos fazendo parecia mais uma despedida. Fátima demorou horas para escolher sua melhor roupa para o trabalho. Saímos de casa então, por volta das 14:00. Eu tinha um aperto no coração, mistura de ansiedade com medo, mas pensei que fosse normal, por conta da minha baixa glicemia que sempre ataca. Ao chegar na beira da rodovia, o perto aumentou. Ela guiou a moto e pegou a BR;

...passou um carro da polícia federal, e juro por deus. pensei: "um acidente :O nunca aconteceu comigo e espero que nunca aconteça". Juro por tudo que é de mais sagrado;
A medida que a velocidade aumentava, pude sentir a depressão da ponte ao passar por cimaa desta. Na beira da pista, havia muuuuuuita árvore, e alí que estava o perigo. Escutei minha mãe gritar, e meu instinto disse: POE A MÃO. Na hora imaginei que fosse tiro, embora não tivesse escutado absolutamente nada. Coloquei a mão e me cortei. Foi tudo muito rápido, e quando percebi o chão estava chegando cada vez mais perto. O capacete começou a bater no chão e minha perna queimava no asfalto. Ardia, mas eu ignrava tentando saber O QUE estava acontecendo. Levantei, e nao me lembro se estava com ou sem capacete, eu só comecei a gritar; não podia ser real, eu me beliscava na esperança de acordar; mas não, ela estava alí, com o pescoço aberto, sangrando muito, formando poças e com o olhar pedindo socorro. meu mundo caiu,
tudo começou a girar e meu grito parecia que estava ecoando. mas aí eu ouvi a sirene do carro da federal. AQUELE carro que passou por mim minutos antes, lembra?
Os policiais apavorados com a situação, nunca tinham visto um pescoço aberto daquela forma tiraram a maca e foram colocando minha mãe alí. Eu estava apavorada e seis pessoas estavam me segurando, falando ao mesmo tempo pra eu me acalmar. Eu berrava, queria que eles ouvissem; era constante e muito mais forte do que eu já imaginara poder gritar. Aí, levantaram ela e colocaram no carro. eu queria ir junto, precisava que ela me sentisse ali, nao sabia como seria daqui pra frente. eu sabia que ela podia morrer mas não queria acreditar. naquela hora eu nao entendia nada. novamente me seguraram. nao deixaram eu entrar, o policial berrou e fechou a porta. o carro saiu a toda velocidade, e eu berrei mais. caí no chão e chorei. 12 anos, minha mãe estava morrendo na minha frente, sangue, muito sangue e eu estava sozinha no meio da rodovia.
estranhos, muito estranhos. Foi então que eu me dei conta de que havia documentos, carteira, celular, cheques e cartões jogados na pista. eu levantei e saí correndo pegando tudo do chão. precisava correr .-. joguei tudo de valor na mochila já rasgada e deixei coisas como caneta e batom jogados por lá. não me interessavam e eu estava cega. busquei no celular o telefone do zé e liguei desesperada. a médica que salvara minha mae com o blazer tomou da minha maão e falou com ele calmamente porque eu dizia tudo ao mesmo tempo. uma das moças que estavam com essa médica (ela fazia partos, a médica) me colocou dentro do carro e segurou no meu rosto dizendo: VOCÊ ACREDITA EM DEUS? ENTÃO TENHA FÉ QUE VAI DAR TUDO CERTO OK? ELE VAI TE AJUDAR, ACREDITA NELE. Seus olhos eram azuis, um azul muito claro e muito lindo. Seu nome: Paula Back. Ela é contara ;D . Ai, alguns minutos meu irmão chegou para me buscar junto com o Zé. Foi só aí que eu percebi o quanto estava machucada. E ardia, doía; doía na pele e no coração.
meu irmão Marcio bateu a porta do carro correndo e saiu berrando: "QUEM FOI O FILHO DA PUTA QUIE BATEU NA MINHA MÃE?" todo mundo sabe que ela não corre, então 99% das chances era imaturidade de outros do que dela; aí eu disse: linha de pipa com cerol marcio! e apontei pra poça enorme de sangue. tentei atravessar a pista mas não conseguia andar, meu pé doía muito e eu caí. meu braço esquerdo não esticava, eu nao saía do lugar. meu irmão me pegou no colo e me colocou no banco de trás do carro. e começou a correr; cortava carros, sinal vermelho e andava pela ciclovia. eu gritava: PÁRA MARCIO VAI MACHUCAR A GENTE. E ele, mais nervoso ainda berrava: EU SEI O QUE EU TO FAZENDO.
Chegamos no hospital minutos depois, foi muito rápido; ai, descobrimos que minha mãe ja estava na cirurgia. Uma enfermeira foi dar banho em mim mas ardia muito e eu tive que ser transportada por cadeira de rodas. Depois, limparam meus machucados e eu fui no corredor principal.


meu padrasto dizia: CALMA, VAI DAR TUDO CERTO. Eu ja estava CHEIA daquilo de vai ficar tudo bem, eles não tinham visto o que eu vi, e não tinham certeza de nada. Levantei da cadeira, ainda me apoiando numa perna só e olhei pra ele, com raiva, muita raiva, medo e rancor. E ele continuou: calma, vai dar tudo certo. E eu berrei ainda mais forte do que na rodovia: CALMA? CALMA PORQUE? É A SUA MÃE POR ACASO? VOCÊ NÃO VIU O PESCOÇO DELA, VC NÃO VIU ELA PERDENDO SANGUE. É A MINHA MÃE OK? EU NAO QUERO FICAR ÓRFÃ, VOCÊ NÃO SABE O QUE EU PASSEI, FICA QUIETO.. - e eu não pude continuar a desabafar, porque me tiraram dalí. Depois, fui levada pra casa, ainda sem poder andar e sem sequer um raio x. meu braço não esticava e minha perna não dobrava. Fiquei três dias deitada na cama. E logo no primeiro dia, meu irmão foi conversar comigo. Sobre mamãe, após a cirurgia,
ele sentou na cama e disse: Larissa, a mãe levou quase 100 pontos por dentro, teve que reconstituir veia, traquéia e outras coisas. a linha cortou tudo, os músculos e tudo. faltou MEIO CENTÍMETRO pra chegar na veia arterial. se chegasse, ela morria na hora. Mas a mãe está na UTI e não sabemos quando ela vai sair. Eu não quero te machucar mais ainda, mas ela pode morrer a qualquer momento. Isso é um fato, pode acontecer. Mas a cirurgia ja acabou, duraram 5 horas e ela ainda não ta falando. Deram banho nela, e vai ter que tomar só líquido. Amanhã passo no hospital e vejo como ela está. E, você não pode ver ela na UTI ainda, é criança. Desculpa. Agora dorme;

Naquela noite, eu dormi com uma foto minha e da minha mãe abraçada no peito; chorei muito, mas dormi com ela alí.
com o passar dos dias eu fui tentando encostar o pé no chão, desaprendi a andar. nao conseguia. até que após 3 dias, no dia 10 de setembro descobri que minha mae tinha saído da UTI e foi para o quarto. perguntava muito de mim, e queria saber de seus documentos. Os medicos disseram que eu estava bem e mostraram um video meu pra ela; e falaram que eu tinha pegado todos os seus pertences na rodovia.

Olha a Lay ai =D


O VÍDEO: http://www.youtube.com/watch?v=2cMJqvH92SQ
Depois de mais dois dias, fui visitá-la. Fui mancando até o hospital, ouvindo xingos dos meus irmãos " ela vai perceber o seu pé, não deixa ela ficar preocupada!" Era muita pressão, meu pé estava em carne viva, ardia muito e tenho uma cicatriz lisa e grande nele até hoje. Aquele ossinho do lado de fora do pé raspou no asfalto por sei lá quantos metros. Até a porta do quarto eu fui relaxada, só ouvindo xingo; dalí pra frente fiz o que pude. me mexi o menos possível e só sorria, mas sentia dor. Nao adiantou, ela viu meu machucado ;/
no dia 13de setembro ela saiu do hospital. tenho que procurar algumas fotos daquela época, quando ela usava lenço no pescoço pra não mostrar os pontos. dia 14 era aniversário da minha sobrinha, que fazia 9 anos; minha mãe fez fisioterapia e por um ano e meio ela se mexia como um robozinho. tinha que virar o corpo todo pra se mexer. meu trauma dura até hoje. demorei pra subir numa moto, e ela colocou aquela anteninha de cortar pipa mas eu nao confio muito. passo pelo lugar e sinto arrepios, e tenho medo até hoje. depois, aprendi a amar mais a minha mãe. brigávamos muito e eu não obedecia ela. só que não durou muito tempo, até chegar em 2009 e eu decepcioná-la me envolvendo com drogas. mas isso é outra história, já passou e eu procuro esquecer. agora, por mais que brigamos ainda, discutimos e tudo mais, dou muito mais valor à palavra mãe. eu amo você ♥.

Fiquei sem andar quase dois meses e só no terceiro mês fui à escola.
e sabe aquela minha amiga? fez meu trabalho sozinha e colocou meu nome, e depois foi descobrir o acidente. mesmo sem eu ter comparecido, ela fez tudo; me ajudou muito porque confiava em mim, se eu faltei e nao avisei, aconteceu alguma coisa.
sempre conto essa historia, porque nao quero que ela se perca na minha memória, todo o desespero e sufoco. foi uma lição de vida. hoje estamos bem, claro que eu ainda tenho sequelas. meu joelho nao é o mesmo, sempre tenho dores e tenho que usar uma joelheira especial. minha mão direita, aquela que cortei quando coloquei a mão ao ouvir minha mãe gritar, o dedo mindinho que foi cortado não tem mais flexibilidade como os outros, e meu pé. tem uma marca enorme. a marca que pra sempre vai ficar. eu e ela sobrevivemos. e essa é minha história. :D um beijo, lay bés

Caraca,
parabéns Larissa,linda historia !!
Kiss loves,Bý :Ana Luiza e Anna Carolina;*

3 comentários:

  1. obrigada menina sz eu superei :D

    ResponderExcluir
  2. parabéns Lay,muiita felicidade na sua vida daqui pra frente. ;DD

    ResponderExcluir
  3. Velho, eu me esbagacei de chorar lendo sua história. Muito perfeita ! Uma verdadeira superação de vida, você ta de PARABÉNS ! Isso é uma lição de vida, só assim aprendemos a dar valor a nossa vida . Felicidades , você merece *-*

    ResponderExcluir

Adolescentes Superam © 2014 . POWERED BY BLOGGER . ILLUSTRATION BY BELL MITYSHU . THEME BY LALONITA e LARISSA BÉS